Papo com os José Nunes
Ano novo, vida nova e emprego novo. Quem já passou pela felicidade de ser contratado por alguma empresa nestes tempos pra lá de bicudos sabe que são exigidos alguns exames de saúde para iniciarmos a labuta.
Terça-feira, 10 de janeiro de 2006 (dia do 19º aniversário do Thiago), Tramandaí, sala de espera para o Raio-X do Hospital da ULBRA. As pessoas aguardam sua vez em um dia excepcional para estar à beira-mar. De repente, ouço a voz da atendente no balcão chamando alguém: José Nunes.
Do meu lado levanta um senhor, dirigi-se ao balcão, pega um papel e volta a sentar do meu lado. Sabendo da espera que o atendimento hospitalar dedica aos seus clientes, aproveito para puxar assunto:
– O senhor tem o mesmo nome do meu pai.
– Meu nome completo é José Nunes da Silva.
– Pois é o contrário do meu, Rogério da Silva Nunes.
Mostramos as carteiras de identidade que estavam em nossas mãos e, após eu observar a data de nascimento em 1945, ele comentou:
– É mesmo! José Nunes Filho, mas o nome é comum. Quando eu morava em Gravataí tinha pelo menos cinco José Nunes da Silva. Teve uma vez que até fizeram depósito de salário errado na minha conta corrente. O Sr. Mora aqui em Tramandaí?
– Não, estou veraneando em Imbé, mas sou de Porto Alegre.
– Pois eu sou de Santa Maria, minha família ainda mora na Vila Prado. Tem uns que moram perto da rodoviária.
– Pois eu sou professor em Santa Maria...
– Na federal?
– É na UFSM.
– Saí de Santa Maria em 1967, mas sempre vou lá visitar os parentes. A última vez foi em maio. O Sr. dá aula em Camobi?
– Não, é no centro, perto do calçadão. O Sr. está veraneando em Tramandaí
– Morei muito tempo em Gravataí, mas depois que me aposentei vim morar em Cidreira.
– O sr. aposentou-se no quê?
– Brigada Militar, moro perto das Colônias de Férias da Brigada em Cidreira.
– É mesmo? Minha sogra mora perto da Colônia dos Cabos e Soldados.
– Eu moro mais perto da Colônia dos Tenentes e Sargentos. Vim para a praia porque o clima é melhor.
– Minha sogra também gosta.
– O sr. está com alguma doença?
– Não, é apenas um raio-X para começar a trabalhar num emprego novo
– Onde?
– Em Florianópolis.
– Achei que não poderia ser em Santa Maria. É estranho como uma cidade grande como esta possui tão pouco emprego.
– É só comércio e funcionalismo público...
– Meu mano trabalha com fundição, ficou sem emprego e veio parar em Osório.
– Agora está abrindo uma fábrica de vagões, não deve gerar muito emprego, mas na fundição...
– É, eu vi a reportagem, mas...
Fomos interrompidos pela moça do balcão que estava me chamando. Despedi-me do José Nunes, porque nossas rotinas no atendimento encaminhavam para locais diferentes. Como ele foi atendido antes, ficou me esperando quase meia hora para despedir-se e desejar-me sucesso.
Não é a primeira vez que me encontro com José Nunes em minhas andanças. Em março de 1996, recebi um telefonema na Manoel Lobato (Porto Alegre) convidando-me para lecionar na pós-graduação da UNISANTOS. “Durango kid” como estava, não era para se recusar.
Havia um porém. A UNISANTOS dava uma ajuda de custo para os professores que necessitavam deslocarem-se até Santos. Para quem morava em São Paulo era um bom dinheiro, mas para deslocar-se de Porto Alegre ficava difícil sobrar alguma coisa após pagar as despesas. Avião nem pensar!
Montei, junto com a Márcia, uma operação logística que envolvia ida e volta de ônibus nos trechos Porto Alegre – São Paulo – Santos – Curitiba – Porto Alegre. A operação envolvia sair quinta à tarde, voltar sábado à tarde e não pernoitar em hotel. Para funcionar, eu teria que pegar um táxi imediatamente após o término da aula para a rodoviária de Santos.
Primeiro dia de aula, após as apresentações de praxe, peço desculpas por não poder atender os alunos após o término da aula, em função do horário do ônibus na rodoviária.
No final da aula, um senhor careca que estava sentado no fundo da sala, vem até minha mesa e oferece carona para a rodoviária. E assim, o meu aluno José Nunes levou-me todas as 8 semanas de aula até a rodoviária. Este José Nunes era um professor aposentado das faculdades de Santos. Março a maio de 1996, oito sextas-feiras em que tive a oportunidade de conversar com o José Nunes ao volante do seu carro. Cena muito familiar!
O fato é que de vez em quando bato uns papos com José Nunes por aí. Tem, por exemplo, o reitor da FECAP, Manoel José Nunes Pinto, que se aposentou em junho de 2005. Avisei o José Nunes de Tramandaí que estou indo para Florianópolis, espero encontrar com o próximo por lá.
Na ilha dedicada à Nossa Senhora do Desterro residiremos em um apartamento que fica na rua Douglas Seabra Levier, 163, ap. 101, Bloco C. Para facilitar àqueles interessados em nos visitar, informo que o endereço fica na Serrinha da Trindade, próximo ao Campus da UFSC, na quadra logo após à rua Alfredo Silva.
Quem quiser acreditar em coincidências...
Terça-feira, 10 de janeiro de 2006 (dia do 19º aniversário do Thiago), Tramandaí, sala de espera para o Raio-X do Hospital da ULBRA. As pessoas aguardam sua vez em um dia excepcional para estar à beira-mar. De repente, ouço a voz da atendente no balcão chamando alguém: José Nunes.
Do meu lado levanta um senhor, dirigi-se ao balcão, pega um papel e volta a sentar do meu lado. Sabendo da espera que o atendimento hospitalar dedica aos seus clientes, aproveito para puxar assunto:
– O senhor tem o mesmo nome do meu pai.
– Meu nome completo é José Nunes da Silva.
– Pois é o contrário do meu, Rogério da Silva Nunes.
Mostramos as carteiras de identidade que estavam em nossas mãos e, após eu observar a data de nascimento em 1945, ele comentou:
– É mesmo! José Nunes Filho, mas o nome é comum. Quando eu morava em Gravataí tinha pelo menos cinco José Nunes da Silva. Teve uma vez que até fizeram depósito de salário errado na minha conta corrente. O Sr. Mora aqui em Tramandaí?
– Não, estou veraneando em Imbé, mas sou de Porto Alegre.
– Pois eu sou de Santa Maria, minha família ainda mora na Vila Prado. Tem uns que moram perto da rodoviária.
– Pois eu sou professor em Santa Maria...
– Na federal?
– É na UFSM.
– Saí de Santa Maria em 1967, mas sempre vou lá visitar os parentes. A última vez foi em maio. O Sr. dá aula em Camobi?
– Não, é no centro, perto do calçadão. O Sr. está veraneando em Tramandaí
– Morei muito tempo em Gravataí, mas depois que me aposentei vim morar em Cidreira.
– O sr. aposentou-se no quê?
– Brigada Militar, moro perto das Colônias de Férias da Brigada em Cidreira.
– É mesmo? Minha sogra mora perto da Colônia dos Cabos e Soldados.
– Eu moro mais perto da Colônia dos Tenentes e Sargentos. Vim para a praia porque o clima é melhor.
– Minha sogra também gosta.
– O sr. está com alguma doença?
– Não, é apenas um raio-X para começar a trabalhar num emprego novo
– Onde?
– Em Florianópolis.
– Achei que não poderia ser em Santa Maria. É estranho como uma cidade grande como esta possui tão pouco emprego.
– É só comércio e funcionalismo público...
– Meu mano trabalha com fundição, ficou sem emprego e veio parar em Osório.
– Agora está abrindo uma fábrica de vagões, não deve gerar muito emprego, mas na fundição...
– É, eu vi a reportagem, mas...
Fomos interrompidos pela moça do balcão que estava me chamando. Despedi-me do José Nunes, porque nossas rotinas no atendimento encaminhavam para locais diferentes. Como ele foi atendido antes, ficou me esperando quase meia hora para despedir-se e desejar-me sucesso.
Não é a primeira vez que me encontro com José Nunes em minhas andanças. Em março de 1996, recebi um telefonema na Manoel Lobato (Porto Alegre) convidando-me para lecionar na pós-graduação da UNISANTOS. “Durango kid” como estava, não era para se recusar.
Havia um porém. A UNISANTOS dava uma ajuda de custo para os professores que necessitavam deslocarem-se até Santos. Para quem morava em São Paulo era um bom dinheiro, mas para deslocar-se de Porto Alegre ficava difícil sobrar alguma coisa após pagar as despesas. Avião nem pensar!
Montei, junto com a Márcia, uma operação logística que envolvia ida e volta de ônibus nos trechos Porto Alegre – São Paulo – Santos – Curitiba – Porto Alegre. A operação envolvia sair quinta à tarde, voltar sábado à tarde e não pernoitar em hotel. Para funcionar, eu teria que pegar um táxi imediatamente após o término da aula para a rodoviária de Santos.
Primeiro dia de aula, após as apresentações de praxe, peço desculpas por não poder atender os alunos após o término da aula, em função do horário do ônibus na rodoviária.
No final da aula, um senhor careca que estava sentado no fundo da sala, vem até minha mesa e oferece carona para a rodoviária. E assim, o meu aluno José Nunes levou-me todas as 8 semanas de aula até a rodoviária. Este José Nunes era um professor aposentado das faculdades de Santos. Março a maio de 1996, oito sextas-feiras em que tive a oportunidade de conversar com o José Nunes ao volante do seu carro. Cena muito familiar!
O fato é que de vez em quando bato uns papos com José Nunes por aí. Tem, por exemplo, o reitor da FECAP, Manoel José Nunes Pinto, que se aposentou em junho de 2005. Avisei o José Nunes de Tramandaí que estou indo para Florianópolis, espero encontrar com o próximo por lá.
Na ilha dedicada à Nossa Senhora do Desterro residiremos em um apartamento que fica na rua Douglas Seabra Levier, 163, ap. 101, Bloco C. Para facilitar àqueles interessados em nos visitar, informo que o endereço fica na Serrinha da Trindade, próximo ao Campus da UFSC, na quadra logo após à rua Alfredo Silva.
Quem quiser acreditar em coincidências...
