quarta-feira, novembro 16, 2005

As Celebridades e eu


por Rogério Nunes

Uma das coisas mais interessantes da vida de viajantes e retirantes é a oportunidade de conhecer pessoas, mesmo que rapidamente. Quando as viagens são de avião a possibilidade de encontrar com “famosos” nas salas de embarque é mais viável que por via terrestre, mas também há as celebridades que cruzam em nosso caminho em uma cidade como São Paulo. Apresento a seguir alguns destes encontros com celebridades.

LULA
Voamos no mesmo vôo entre São Paulo e Belo Horizonte em dezembro de 1999. Na ocasião, eu estava indo de Santa Maria para Formiga (MG), fazendo de avião até Belo Horizonte. Entrei no avião em que estava o atual presidente na conexão que fiz em Congonhas. Lula estava no fundo do avião, acompanhado de dois assessores, e só o vi no desembarque na Pampulha. O aeroporto estava lotado para recebê-lo em um evento do PT em Belô.

Beluzzo
Um dos economistas ilustres do país, tido como um dos pais do Plano Cruzado, ex-Secretário do Estado de São Paulo, um dos editores da Revista Carta Capital e ex-candidato à presidência do Palmeiras. O Beluzzo foi o palestrante na semana de Economia e Administração da FISP e UniFMU em 2003 e dividi a mesa da solenidade com ele e com o Coordenador da Economia. Gente boa, gosta de futebol e posiciona-se à esquerda do ponto de vista econômico. A saia justa foi quando ele terminou a exposição, abriu para perguntas e uma aluna da Nutrição questionou se os caminhos são tão claros porque o país não está melhor, nós da mesa caímos na risada. O Beluzzo não gostou e emendou um discurso acerca do que é uma Ciência Social.

ROGER HODGSON
Mais conhecido como “a voz fina do Supertramp”, voamos num Rio Sul que fazia a rota São Paulo-Porto Alegre, com escala em Navegantes (SC), na tarde de um domingo em 1998 ou 99. Eu estava voltando para Santa Maria, após um final de semana em que lecionei no centro do país e o ex-vocalista do Supertramp estava indo fazer um show solo em Porto Alegre. Desta vez, eu estava no fundo do avião bem próximo ao pop-star quando enfrentamos uma poderosa turbulência para aterrissar em Navegantes. No maior susto que passei em um avião ‘Dreamin’ passou a ‘Take a long way home’ antes dos passageiros aplaudirem o comandante ao pousar em Navegantes.

EMILINHA BORBA
Uma das rainhas do rádio, recentemente falecida, estava no corredor de Congonhas em 1998, cercada de fãs (uns 5 ou 6). Achei estranha a cena, porque não conheço uma música da citada senhora. Por um momento fiquei preocupado com a minha ignorância musical, mas tranqüilizei-me quando olhei a faixa etária dos fãs. Chamou minha atenção a altura da plataforma do sapato da cantora que era realmente muito baixinha.

DANIELA MERCURY
E por falar em baixinhas...Eu estava no desembarque em Congonhas esperando os avaliadores do INEP-MEC para avaliar o curso que eu coordenava (maio/2003), quando passa a cantora baiana sozinha em direção às duas ou três pessoas que a aguardavam. Assisti uns tempos atrás uma entrevista onde Daniela comentava a surpresa expressa pelas pessoas diante de altura, na faixa do 1,55 m.

ALCIONE
Agosto de 2005, sábado, 6h da manhã, Aeroporto Salgado Filho e estou voltando para São Paulo. Alcione também é baixinha, mas é um barrilzinho muito bem vestido e dizem que fez uma grande dieta recentemente. Lépida e faceira, a “marrom” desfila de óculos escuros (!?!?) pelo aeroporto acompanhada de um crioulo de 2m de altura. Ninguém chega perto e encontro três explicações possíveis: a “marrom” acha que não foi reconhecida por causa dos óculos escuros, ficaram com medo do “par” ou não existe tietagem às 6 da manhã.

HEBE CAMARGO
Junho de 2004, (re)inauguração do salão da UniFMU, Campus da rua Iguatemi, com a entregue de título de Professor “Honoris causa” ao Abram Szajman, presidente da Federação do Comércio de São Paulo. Distinção com solenidade em ano eleitoral é divertido: Raul Cortez, Paulinho da Força (candidato a vice do Ciro Gomes na eleição presidencial e, na época, candidato a prefeito de São Paulo), a família do homenageado, um monte de judeus-banqueiros (o seu Safra, por exemplo) e ela, a atração da festa, Hebe Camargo. A estrela sentou-se na primeira fila do auditório, ao lado da esposa do homenageado, supostamente por serem amigas (fiquei com a impressão de que o “produtor” era o mesmo: cabelos e roupas muito descoladas para duas senhoras pra lá de sessentonas). Sentei na terceira fila (reservada para o pessoal “da casa”, os coordenadores de curso) e presenciei como aquela velharada baba por Dona Hebe, que estava com o marketing à vista (as pernas de fora).

MYLLA CHRISTIE
Encontrei várias vezes a Mylla na sala da Coordenação da FISP. Na primeira, achei que era professora da casa, a FISP fica muito próxima à Globo em São Paulo e alguns dos funcionários (editores e técnicos) lecionam na FISP. Na segunda, descobri que era uma aluna formanda e encrenqueira. Presidi, em maio de 2003, a solenidade de formatura das primeiras turmas da FISP no Clube Sírio-Libanês, que incluía o Curso de Comunicação Social que a atriz cursava, mas ela não estava lá. Após a formatura, voltou a fazer novelas na Rede Globo.

GUGA
Em outubro de 2003, o INEP-MEC me enviou para Porto Alegre avaliar o IPA em um vôo da GOL com escala em Florianópolis. Na sala de embarque, chegou o Guga muito bem acompanhado de duas belas moçoilas. Simpático, distribuindo sorrisos e autógrafos para o pessoal que pulou atrás dele assim que o tenista magrão chegou ao embarque.

ERASMO CARLOS
Em 2001 fui de São Paulo para Santa Maria, lecionar em um final de semana. Na época, cada companhia aérea tinha seu portão de embarque em Congonhas e no portão da VARIG ficava a mais movimentada ponte aérea RIO-SP, com direito a um balcão com comes e bebes (café, sucos, sanduichinhos, etc.) onde os passageiros ficavam à espera da chamada do vôo. Lá estava o Tremendão (deve ter 1,80m), calça e jaqueta jeans com franjinhas estilo ’cowboy’, sozinho, na dele e ninguém a importuná-lo. Fama vai e vem.

SUPLA
Outubro/2005, 9h, Aeroporto de Congonhas. Estou na calçada esperando a minha caro(li)na e vejo que na mesma calçada está o Supla, com alguns componentes da sua banda, esperando os demais que, aos poucos, vão desembarcando de táxis. É semana de feriado, a calçada está movimentada e o “Papito” abafa. A mulherada pára, bate fotos, pede autógrafo e ele está de cara boa para um ‘punk’ às 9 da manhã de sábado. Já não se faz ‘underground’ como antigamente.

ATLÉTICO(MG)
Inesquecível. Campeonato Brasileiro de 1998, a última rodada da fase classificatória cai em um dia de semana à tarde. O Grêmio precisa ganhar da Portuguesa no Olímpico e torcer para que o Atlético(MG) não ganhe da Ponte Preta em Campinas, entre outras combinações de resultados. Saio de Santa Maria às 16h30, embarco em Porto Alegre às 18h e na conexão de Congonhas para Belo Horizonte, fico a bordo esperando uns 10 a 15 minutos.
Eis que surge a delegação do Atlético(MG), vinda de Campinas, e eu sem saber os resultados das partidas. Três jogadores sentam no banco à minha frente, dois ao meu lado e eu muito a fim de perguntar o resultado dos jogos.
Passam alguns minutos, observo a imprensa que acompanha os jogadores e vejo que a delegação não está comemorando, tomo coragem e estabeleço um diálogo com o jogador ao meu lado:
- E, aí, classificaram?
- Não, empatamos com a Ponte...
- Ah, é? Então, quem classificou?
- O Grêmio...
- (Yes!!!!!) Puxa, é mesmo? Então ele ganhou da....
- 4 a 2 na Portuguesa.
- Então, vocês estão fora (Eh!Eh!Eh!)
- É, mas o pior vai ser descer no aeroporto.
- (Opa!) Por quê?
- É que a torcida vai estar lá!
Realmente, foi um sufoco o desembarque na Pampulha. O saguão de desembarque estava lotado, muitos policiais, muita imprensa e muita torcida. Como eu estava só com bagagem de mão, passei direto pela esteira e fui embora. Divertido foi ver os jogadores do Galo disputando quem descia por último do avião.

LECO ALVES
Foi uma gentil visita que o Leco, que estava morando no Rio, nos fez na Manoel Lobato em 1995. Depois de um grande papo e de combinarmos uma saída no dia seguinte para comprar uns CDs, o primo disse que ia ao Shopping Praia de Belas. Sem nada para fazer em um dia de semana à tarde, ofereci uma carona. Ele aceitou, mas fez um comentário para mim e para a Márcia:
- Eu sou um cara conhecido e espero que vocês não se chateiem se eu tiver que dar atenção para alguém que me parar para um papo.
- Fica frio, Leco, estamos indo passear no Shopping.
Logo na entrada do Shopping (porta próxima ao Banco do Brasil), um ex-colega e ex-vizinho da Caldwell me ataca. O Leco sai para o lado e fica com a Márcia esperando por mim, numa boa.
Metade do corredor térreo, próximo às floreiras, e um ex-aluno de Santa Maria me chama. O Leco saiu para o lado com a Márcia, mas a cara não era a mesma. Tive que ser rápido.
Ponta final do corredor e, enquanto faço o terceiro ‘pit-stop’ para atender alguém, observo o Leco acelerando o passo para chegar logo na Banana Records, nos deixando para trás sem a menor explicação.
Também já tive meus momentos de celebridade.